quinta-feira, 15 de junho de 2023

O Vinho e Vida, uma dança entre a filosofia e a poesia





                No mundo do vinho, encontramos muito mais do que apenas uma bebida. O vinho é um convite para explorar as profundezas da existência humana, um elixir que nos conecta com a essência da vida. Neste post, mergulharemos em uma jornada filosófica e poética, explorando a relação entre o vinho e a vida. Desde o ciclo de vida do vinho até as reflexões de grandes filósofos e poetas, vamos desvendar as lições que essa nobre bebida pode nos ensinar.

O vinho, como os seres humanos, passa por diferentes estágios de vida. Na infância, as uvas são colhidas e fermentadas, o vinho é jovem e imaturo, com um potencial a ser desenvolvido. Na adolescência, o vinho envelhece em barris ou garrafas, adquirindo complexidade e identidade. A maturidade traz equilíbrio e plenitude, tanto para o vinho quanto para nós. Por fim, a morte do vinho ocorre quando ele transmuta e se oxida, assim como nossa própria mortalidade.

O vinho nos presenteia com lições valiosas para a vida. Ele nos ensina sobre a importância da paciência e do tempo, valorizando o processo. Assim como o vinho, devemos apreciar o ritmo natural das coisas. O vinho nos mostra que a transformação e a superação são possíveis. Podemos evoluir e nos tornar seres humanos mais refinados. Apreciar o presente é um ensinamento do vinho, que nos lembra da efemeridade da vida e da necessidade de gratidão. A complexidade e diversidade do vinho refletem a riqueza e a complexidade do mundo ao nosso redor. E, por fim, o vinho nos convida à alegria e à comunhão, fortalecendo laços e criando momentos de felicidade e conexão.


Ao longo dos tempos, grandes filósofos expressaram suas reflexões sobre o vinho e sua relação com a vida. Plínio, o Velho, afirmou que "o vinho é a parte intelectual de uma refeição". Ralph Waldo Emerson destacou que o vinho torna a vida mais fácil e suportável, com menos tensão e mais tolerância. Johann Wolfgang von Goethe declarou que o vinho alegra o coração do homem e é a mãe de todas as virtudes. Essas e outras frases demonstram como o vinho é valorizado e apreciado como uma das bebidas mais cultas e enriquecedoras da humanidade.

Concluímos afirmando que o vinho é muito mais do que uma bebida para ser apreciada. Ele é um símbolo da vida, com seu ciclo de infância, adolescência, maturidade e morte. O vinho nos ensina sobre paciência, transformação, apreciação do presente, complexidade e alegria. Nas palavras de filósofos e poetas, encontramos a reverência e admiração pelo vinho, como uma fonte de inspiração e conhecimento. O vinho nos convida a refletir sobre a existência e a encontrar significado em cada gole.

Portanto, quando nos entregamos a uma taça de vinho, estamos imersos em um universo de possibilidades. As vinhas que nos presenteiam com uvas suculentas nos ensinam sobre a importância de nutrir nossos sonhos e permitir que eles cresçam e se transformem. A fermentação que ocorre nas profundezas das adegas nos lembra que, mesmo em momentos de escuridão e desafio, algo valioso e extraordinário poderá surgir.

Na apreciação do vinho, encontramos um convite para saborear cada momento, cada aroma, cada sabor. Como filósofos da vida, podemos nos inspirar em sua essência, encontrar equilíbrio e plenitude na complexidade de nossa existência.

Portanto, brindemos à vida, à sabedoria que o vinho nos proporciona, e à busca constante pelo conhecimento e pela compreensão. Espero que todos nós possamos celebrar as alegrias e enfrentar as adversidades com a mesma sabedoria e graça que o vinho nos oferece. E que, assim como o vinho enriquece nossas experiências, possamos enriquecer o mundo com nossa presença e nossas reflexões.

Em meio às vinhas e aos cálices, descobrimos um universo de sabedoria, beleza e contemplação. Permita-se mergulhar nessa dança filosófica e poética entre o vinho e a vida, e deixe-se levar pelas lições e inspirações que essa união nos oferece.

Brinde à vida, ao vinho e à jornada que nos leva além dos sentidos, em busca de uma compreensão mais profunda do que significa ser humano. Que cada taça seja um convite para a contemplação e um lembrete de que, assim como o vinho, a vida é uma dádiva a ser apreciada e explorada em toda a sua riqueza.



Que a poesia do vinho ecoe em nossas mentes e corações, e que, ao apreciá-lo, encontremos não apenas um prazer sensorial, mas também uma conexão profunda com a essência da existência.

Vinho e vida entrelaçados em uma dança eterna, nos convidando a saborear cada momento e a encontrar significado nas experiências que nos moldam. Que possamos brindar a essa união sublime e continuar a explorar os mistérios e encantos que a vida e o vinho têm a oferecer.

Obrigado por nos acompanhar nesta jornada filosófica e poética através do vinho e da vida. Que suas taças sempre transbordem de sabedoria, beleza e alegria. Santé!


quarta-feira, 14 de junho de 2023

Shiraz: A Jornada de uma uva que produz vinhos apaixonantes



Introdução:

O vinho é um fusão do solo, do clima e do homem

 

A uva Shiraz, também conhecida como Syrah em muitas partes do mundo, é uma casta de vinho tinto de renome mundial. Com uma história rica e uma presença global, a Shiraz possui uma incrível diversidade de expressões de acordo com os diferentes terroirs onde é cultivada. Neste artigo, vamos explorar a origem da uva Shiraz, suas principais áreas de plantio e os terroirs que melhor a valorizam.



Qavam House, uma casa de família construída durante os séculos XIX e XX pelas 
dinastias Zand, Qajar e Pahlavi

Origem da Uva Shiraz:

A Shiraz tem suas raízes históricas na região do Vale do Ródano, na França. Mas, acredita-se que a casta tenha sido cultivada pela primeira vez na cidade de Shiraz, no Irã, há milhares de anos. Durante o período das Cruzadas, algumas correntes de historiadores acredita que a uva tenha sido introduzida no Vale do Ródano pelos cruzados que retornaram das Cruzadas com diferentes influências culturais e agrícolas. No entanto, é importante ressaltar que as informações históricas sobre essa relação são complexas e envolvem várias teorias. Todavia é certo que as vinhas de Shiraz foram levadas para o sul da França pelos cavaleiros templários, onde encontraram um ambiente propício para o cultivo.

Principais Áreas de Plantio:

Hoje em dia, a uva Shiraz é cultivada em diversas regiões vitivinícolas ao redor do mundo, com destaque para:

Vale do Ródano, França: O berço histórico da Shiraz continua sendo uma das melhores regiões para cultivar essa uva. As vinhas localizadas nas sub-regiões de Hermitage, Côte-Rôtie e Cornas produzem vinhos intensos, elegantes e com excelente capacidade de envelhecimento.

Austrália: A Shiraz se estabeleceu como a uva emblemática da Austrália, principalmente na região de Barossa Valley, onde é cultivada há mais de 150 anos. Os vinhos australianos de Shiraz são conhecidos por sua potência, frutas maduras e especiarias intensas.

África do Sul: A uva Shiraz encontrou uma casa acolhedora nas regiões vinícolas sul-africanas, especialmente em Stellenbosch e Swartland. Os vinhos sul-africanos de Shiraz exibem uma combinação harmoniosa de frutas vibrantes, especiarias e taninos macios.

Estados Unidos: A Shiraz ganhou popularidade nos Estados Unidos, especialmente na região da Califórnia, mais precisamente no Condado de Paso Robles. Lá, os vinhos de Shiraz apresentam uma expressão frutada intensa, com notas de pimenta preta e taninos estruturados.

Melhores Terroirs para a Casta Shiraz:

Embora a Shiraz possa ser cultivada em várias regiões do mundo, existem alguns terroirs que parecem ser particularmente adequados para destacar o potencial dessa uva. Alguns dos melhores terroirs para a casta Shiraz incluem:

Solos Graníticos: A Shiraz prospera em solos graníticos, como os encontrados no Vale do Ródano e em algumas partes da Austrália. Esses solos proporcionam boa drenagem, nutrição adequada e contribuem para a complexidade aromática dos vinhos.

Clima Mediterrâneo: A Shiraz gosta de climas quentes e ensolarados, típicos das regiões de clima mediterrâneo. Essas condições permitem que a uva atinja um nível ideal de maturação, resultando em vinhos ricos e cheios de sabor. Regiões como o sul da França, a Austrália e partes da Califórnia oferecem o clima perfeito para o cultivo da Shiraz.

Altitude Moderada: Terroirs com altitudes moderadas, onde há uma combinação de temperaturas diurnas quentes e frescor noturno, são ideais para a Shiraz. A variação térmica ajuda a preservar a acidez natural da uva, equilibrando sua estrutura e conferindo elegância ao vinho. Regiões como o Vale do Ródano e algumas áreas da África do Sul são conhecidas por suas vinhas de Shiraz em terrenos de altitude.

Condições de Ventilação: A Shiraz também se beneficia de terroirs com boa circulação de ar, que ajudam a evitar doenças e promovem uma maturação saudável das uvas. Regiões costeiras ou com ventos dominantes, como a região de McLaren Vale, na Austrália, proporcionam um ambiente propício para o cultivo da Shiraz.

A Shiraz na América do Sul

A Shiraz, também conhecida como Syrah, encontrou um lar na América do Sul, onde seu cultivo tem se mostrado promissor em regiões como Brasil, Chile e Argentina. Embora a uva tenha uma história mais recente nessas regiões em comparação com a Europa e a Austrália, os produtores estão demonstrando um grande potencial para a produção de vinhos de alta qualidade.

No Brasil, especialmente na região da Serra Gaúcha, a Shiraz tem ganhado destaque. O clima temperado e a altitude proporcionam condições favoráveis para o cultivo da uva. Vinícolas brasileiras têm investido na plantação de Shiraz e estão produzindo vinhos encorpados, com notas de frutas maduras e especiarias. Além disso, a Shiraz brasileira tem mostrado um bom potencial de envelhecimento, revelando uma complexidade maior com o tempo.

No Chile, a Shiraz tem sido cultivada com sucesso em diferentes regiões, como o Vale do Colchagua e o Vale do Maipo. O clima mediterrâneo, com verões quentes e secos, proporciona condições ideais para o amadurecimento das uvas, resultando em vinhos de Shiraz ricos em frutas, com taninos suaves e notas de especiarias. Os vinhos chilenos de Shiraz muitas vezes apresentam um estilo mais concentrado e exuberante, com boa estrutura e equilíbrio.

A Argentina também tem se destacado na produção de Shiraz em regiões como Mendoza, San Juan e Salta. Embora a Argentina seja conhecida principalmente pelo cultivo da uva Malbec, a Shiraz tem encontrado seu espaço e conquistado apreciadores. As vinhas de Shiraz na Argentina beneficiam-se das condições áridas e das altitudes elevadas, resultando em vinhos de corpo médio a encorpados, com sabores intensos de frutas vermelhas e pretas, nuances de pimenta e uma boa acidez.

Tanto no Brasil, no Chile quanto na Argentina, a Shiraz tem se mostrado uma variedade versátil, capaz de produzir vinhos expressivos e cativantes. Os produtores sul-americanos têm explorado diferentes técnicas de vinificação para destacar as características únicas da casta, resultando em vinhos de Shiraz com personalidade própria, que refletem o terroir e o estilo de cada região.

Embora a presença da Shiraz na América do Sul possa ser considerada recente em comparação com outras regiões produtoras, é notável o avanço e o reconhecimento que os vinhos de Shiraz sul-americanos têm alcançado, conquistando prêmios e atraindo cada vez mais a atenção dos apreciadores de vinho em todo o mundo.

Além disso, é importante mencionar que a Shiraz na América do Sul também tem sido utilizada em cortes com outras variedades de uvas, como a Malbec e a Cabernet Sauvignon, trazendo complexidade e equilíbrio aos vinhos produzidos.

No Brasil, o cultivo da Shiraz tem se expandido para além da Serra Gaúcha, com vinícolas em outras regiões como a Campanha Gaúcha, Vale dos Vinhedos e Santa Catarina também investindo na variedade. Essas regiões oferecem diferentes características de solo e clima, resultando em vinhos de Shiraz com perfis distintos e sabores variados.

No Chile, além dos vinhos de Shiraz produzidos em regiões tradicionais, como Colchagua e Maipo, também há experimentações em novos terroirs, como o Vale do Elqui e o Vale do Limarí. Essas regiões mais frescas proporcionam vinhos de Shiraz com maior acidez e elegância, adicionando uma nova dimensão à expressão da casta no país.

No geral, a Shiraz na América do Sul continua a evoluir e a surpreender, à medida que produtores e enólogos exploram o potencial da casta em diferentes terroirs. Com vinhos de alta qualidade e personalidade, a Shiraz sul-americana tem ganhado reconhecimento e se posicionado no mercado internacional, oferecendo opções distintas e atraentes para os apreciadores de vinho.

Principais Produtores da América do Sul

No Brasil, vinícolas como Miolo, Lidio Carraro, Casa Valduga e Pizzato têm se destacado na produção de vinhos de Shiraz. Essas vinícolas têm investido em técnicas de vinificação modernas e no manejo adequado dos vinhedos, resultando em vinhos de alta qualidade, com aromas intensos, boa estrutura e equilíbrio.

No Chile, a vinícola Viu Manent se destaca na produção de Shiraz, com seu vinho ícone "Viñedo La Capilla". A vinícola Errazuriz, conhecida por seus vinhos premium, também produz um Shiraz excepcional em seu vinhedo "Max Reserva". Outras vinícolas como Concha y Toro, Montes e Emiliana também oferecem vinhos de Shiraz de excelente qualidade.

Na Argentina, a Bodega Catena Zapata é uma das referências na produção de Shiraz. Seu vinho "Catena Alta" é um exemplo de elegância e complexidade. A vinícola Zuccardi, reconhecida por sua abordagem inovadora, também produz um Shiraz de destaque em seu portfólio. Outros produtores notáveis incluem Achaval-Ferrer, Colomé e Salentein.

É interessante observar que, tanto no Brasil, no Chile quanto na Argentina, os produtores locais têm mostrado habilidade em adaptar a casta Shiraz às características específicas do terroir de cada região. Isso resulta em vinhos únicos, com características distintas e autenticidade regional.

 


“O vinho faz de cada refeição uma ocasião, cada mesa mais elegante, cada dia mais civilizado.”

André Simon, automobilista francês

 

Terroir e a Shiraz

É interessante observar como o terroir pode influenciar as características da uva Shiraz e os vinhos produzidos a partir dela. Nas regiões mais quentes, como o Barossa Valley, na Austrália, a Shiraz tende a apresentar frutas maduras, notas de especiarias intensas e um perfil potente. Já em áreas mais frescas, como algumas partes do Vale do Ródano, os vinhos de Shiraz podem exibir uma acidez mais pronunciada, aromas de frutas vermelhas frescas e nuances de pimenta.

Vinhos de Corte

Além de ser vinificada como uma única casta, a Shiraz também é frequentemente utilizada em cortes com outras variedades de uvas, como a Grenache e a Mourvèdre. Esses cortes, muitas vezes denominados como "GSM" (Grenache, Shiraz, Mourvèdre), combinam as qualidades únicas de cada uva para criar vinhos complexos e equilibrados. A Shiraz, nesses casos, adiciona estrutura, profundidade e intensidade aromática aos vinhos.

Potencial de Envelhecimento

Os vinhos de Shiraz, quando produzidos em terroirs adequados e com técnicas de vinificação cuidadosas, têm um excelente potencial de envelhecimento. Com o passar dos anos, esses vinhos desenvolvem maior complexidade aromática, suavizam seus taninos e adquirem camadas adicionais de sabores. Alguns dos melhores exemplares de Shiraz podem ser guardados por décadas, revelando toda a sua elegância e sofisticação ao longo do tempo.

Conclusão:

A uva Shiraz é uma das castas mais fascinantes e apreciadas ao redor do mundo. Sua origem autóctone no Vale do Ródano, na França, e sua disseminação global demonstram sua capacidade de adaptação aos diferentes terroirs. Desde os vinhedos históricos do Vale do Ródano até as regiões ensolaradas da Austrália, a Shiraz apresenta uma gama diversificada de estilos e expressões. A chave para obter vinhos excepcionais de Shiraz está em encontrar os terroirs ideais, onde a combinação de solo, clima e outras influências naturais se alinham para criar vinhos de alta qualidade. Com sua estrutura, intensidade e potencial de envelhecimento, a Shiraz continua a cativar os amantes de vinho em todo o mundo, oferecendo experiências sensoriais únicas e inesquecíveis.

Explorando Novos Terroirs

Além das regiões tradicionais, novos terroirs estão sendo explorados para o cultivo da uva Shiraz, revelando novas perspectivas e potenciais expressões. Regiões como Chile, Brasil, Argentina, Espanha, Itália e até mesmo alguns estados dos Estados Unidos, como Oregon e Washington, estão experimentando o cultivo da Shiraz com resultados promissores. Essas áreas estão descobrindo o equilíbrio entre o clima, solo e outras características do terroir, para produzir vinhos de Shiraz distintos e emocionantes.

Vinhos de Shiraz e Harmonizações: Os vinhos de Shiraz são conhecidos por sua riqueza de sabores e estrutura, o que os torna versáteis na hora de harmonizar com alimentos. A potência e as notas de especiarias da Shiraz combinam bem com carnes vermelhas grelhadas, churrasco, cordeiro, pratos condimentados e queijos de sabor intenso, como o queijo azul. A acidez equilibrada de alguns exemplares também permite harmonizações com pratos de aves de caça e molhos agridoces.

 

A Evolução da Shiraz

À medida que o interesse pela uva Shiraz continua a crescer, vinícolas e enólogos estão explorando diferentes técnicas de vinificação, desde fermentações em barricas de carvalho até o uso de leveduras indígenas, para capturar a essência da casta e explorar ainda mais seu potencial. Essa busca por inovação e aprimoramento garante que a Shiraz continuará a evoluir e surpreender os apreciadores de vinho ao longo do tempo.

A uva Shiraz, com suas origens históricas e adaptabilidade a diferentes terroirs, continua a encantar os amantes de vinho em todo o mundo. Desde as regiões tradicionais até os novos terroirs em desenvolvimento, ela apresenta uma ampla gama de estilos, expressões e potenciais de envelhecimento. Seja em vinhos de corte, em blends ou como casta principal, a Shiraz oferece vinhos poderosos, complexos e cheios de sabor. À medida que a indústria do vinho continua a evoluir, a Shiraz permanece como uma casta clássica que continua a fascinar e cativar os paladares em todo o mundo.

Principais produtores e marcas ícones feitos com a uva Shiraz pelo mundo.

Existem muitos produtores e marcas renomados que produzem vinhos de Shiraz de alta qualidade ao redor do mundo. Aqui estão alguns dos principais produtores e marcas ícones que se destacam nesse segmento:

França:

Guigal (Côte-Rôtie, Hermitage)

Chapoutier (Hermitage)

Jaboulet (Hermitage, Crozes-Hermitage)

Paul Jaboulet Aîné (Hermitage, Cornas)

Jean-Louis Chave (Hermitage)

Delas Frères (Hermitage, Cornas)

Jean-Paul & Jean-Luc Jamet (Côte-Rôtie)

Domaine Jean-Louis Chave (Hermitage)

Domaine Jean Michel Gerin (Côte-Rôtie)

Domaine Clape (Cornas)

Austrália:

Penfolds (Grange, RWT, St. Henri)

Henschke (Hill of Grace, Mount Edelstone)

Torbreck (The Laird, RunRig)

Two Hands (Bella's Garden, Ares)

d'Arenberg (The Dead Arm, The Coppermine Road)

Mollydooker (Carnival of Love, Velvet Glove)

Yalumba (The Octavius)

Clarendon Hills (Astralis, Hickinbotham)

África do Sul:

Mullineux (Schist, Granite, Iron)

Boekenhoutskloof (The Chocolate Block, Syrah)

Sadie Family (Columella, Pofadder)

Kleinood (Tamboerskloof)

Spice Route (Chakalaka)

Kanonkop (Black Label, Paul Sauer)

Reyneke (Biodynamic Syrah)

Estados Unidos:

Cayuse Vineyards (Bionic Frog, Cailloux Vineyard)

Saxum Vineyards (James Berry Vineyard, Bone Rock)

Sine Qua Non (various vineyards and cuvées)

Turley Wine Cellars (Hayne Vineyard, Pesenti Vineyard)

Bedrock Wine Co. (Heritage, Pagani Ranch)

É importante ressaltar que essa lista é apenas uma seleção dos principais produtores e marcas icônicas de Shiraz ao redor do mundo. Existem muitos outros produtores talentosos e vinhos excepcionais disponíveis, cada um com seu estilo único e expressão do terroir. A escolha final dependerá das preferências individuais e da disponibilidade regional.

Bibliografia utilizada:

Robinson, J., Harding, J., Vouillamoz, J. (2013). Uvas para vinho: um guia completo para 1.368 variedades de videiras, incluindo suas origens e sabores. Pinguim.

Johnson, H. (2013). O Atlas Mundial do Vinho. Mitchell Beazley.

MacNeil, K. (2015). A Bíblia do Vinho. Editora Workman.

Curso de vinhos de Jancis Robinson. (2021). Obtido em: https://www.jancisrobinson.com/learn/wine-course


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Gewürztraminer.




Uma paixão por essa uva e uma história rica de detalhes nos levou a voltar a escrever e ativar novamente nosso blog, Além, claro, da motivação e persistência do amigo e Jornalista Carlos Nealdo e o inconformismo de nossa confraria devido ao nosso isolamento temporal do universo literário do vinho. Bem, neste post iremos fazer uma viagem através da Europa mais ao oriente, onde se iniciou a trajetória de uma casta ainda pouco apreciada por nós brasileiros, contudo acredito ser apenas uma questão de tempo e conhecimento. 
    

Gewürztraminer

Nossa pequena história nos levará ao Tirol, esta antiga província do Império Austríaco, dividida pelo Tratado de Saint-Germain-em-Laye. Podemos com certeza dizer que esta região é uma parte germânica da Europa, mas não é Alemanha, já que ela localiza-se entre a Áustria, Alemanha e Itália. Sua capital é a cidade de Innsbruck, na parte principal do estado do NORDTIROL, ao sul oriental. Temos ainda as outras divisões deste estado Austríaco, que são SULDTIROL, OST-TIROL e TRENTINO, sendo esta mais ao norte, com grande influência da Itália. No Tirol Austríaco, na parte oriental dessa região, encontramos os conhecidos Alpes do Tirol, que é ainda banhado pela Bacia superior do Rio Inn, cujo vale (onde se localiza Innbruck) é o eixo principal da província. Essa parte da região tirolesa, que ficou para a Áustria, mede cerca de 12.649 km2 e tem aproximadamente 594.000 habitantes. É separada da outra porção, a sudeste, em resultado da perda da parte sul da região (Tirol Meridional), que é a região dos Alpes Suíços.


Mapa do Estado do Tirol

Sua bela Capital  Innbruck - Inverno de 2010

Bem, Foi em uma pequena vila de nome Tramin, na província Bolzano, República Italiana que a Traminer – que significa "vinda de Tramin", uma variedade de uva de pele verde e que por consequência de sua origem carregou para si o nome da vila onde nasceu – que surgiu uma das cepas mais agradáveis ao desenvolvimento de vinhos brancos do mundo, mesmo assim, para muito de nós brasileiros, ainda é uma completa desconhecida, e traz um nome extremamente complicado de se pronunciar. Contudo extraordinária, potente e deliciosa na construção de vinhos brancos, bem como muito fácil de apaixonar-se.


A Gewürztraminer é uma linhagem que se adaptou muito bem ao frio, que talvez contribua para o seu rico buquê de lichia, alias a lichia compartilha com a Traminer o mesmo composto de aroma, podendo ainda traduzir aromas florais como rosas e flor de maracujá.

Lichia

 

 

Alguns estudiosos definem a Gewürztraminer como a cepa que gerou alguns clones naturais, tais como a Savagnin Blanc. Todavia, devemos perceber que outras correntes conectam seu genoma a Viogner do Vale do Rhone, que talvez seja um parente mais distante de Sauvignon Blanc.

Dentro dessa analogia, temos que observar que o Tirol foi e ainda é uma região encravada entre 03 países (Alemanha, Áustria e Itália), que se atritaram muito ao longo dos séculos, uma região estratégica de linha de frente que por milênios abrigou grandes batalhas. Provavelmente pelas razões acima não seja surpreendente que suas vinhas tenham sido dizimadas. Tanto que o vinho obtido a partir de traminer foi ser redescoberto na Alemanha, contudo com menor potencial aromático. Na verdade a traminer, que a partir do século XIX passou ser escrita de forma diferente, passou a se chamar Gewürztraminer em princípio na Alemanha. Depois, como Gewurztraminer – sem o trema no “u“ – na França, ressurge com todo seu potencial justamente na conturbada fronteira entre a Alemanha e a França, na Alsácia-Lorena, hoje território Francês.
Bom, devo ainda referendar neste post que algumas videiras Alemãs podem muito bem ser confundidas como a Traminer, como exemplo, podemos citar a Savagnin Rose, que para muitos é conhecida como Red Traminer, ou também chamada de Durbacher Clevner para uns e para outros, Durbacher Klevner", que é um sinónimo Austríaco para Pinot Blanc. 
Durbacher Klevner, ainda guardando a identidade da Taminer.

A LONGA JORNADA DA TRAMINER...

(Karl) Carlos Frederico, grão-duque de Baden (Karlsruhe, 22 de novembro de 1728 — Karlsruhe, 10 de junho de 1811) foi o filho mais velho do príncipe Frederico de Baden-Durlach e de Amália de Nassau-Dietz, a filha de João Guilherme Friso, Príncipe de Orange. 

A história diz que em 1780 o Grão-Duque de Baden Karl Friedrich (foto)  trouxe sementes de um vinha da Chiavenna, na Itália, que fica no meio do caminho entre Tramin e Jura. Jura é uma cadeia de montanhas que chegam a cumes de 1720 m de altitude, e estão situadas ao norte dos Alpes, entre a França, Suíça e Alemanha.
Na França, ela cobre essencialmente a região Franche-Comté e se estende pela região Rhône-Alpes, a leste do departamento de Ain e ao noroeste do departamento da Saboia (chaîne de l'Epinee dent du Chat) que para os Alemães era conhecida como Cleven. (fonte: http://pt.wikipedia.org).
Heiligenstein - Alsácia

Cleven ou Klevener de Heiligenstein ou Heiligensteiner Klevener  encontra-se no entorno de Heiligenstein - Alsácia pode ter representado um posto avançado das vinhas Durbach. Como só há registros da Traminer a partir século XVI, são exatamente estes registros que demonstram que ela se espalhou do baixo Reno para a Alsácia, por meio do Palatinado1. Acredito que nesta fase deve ter havido o acréscimo da palavra Gewürz (pimenta, ou picante) ao seu nome, presumivelmente quando ocorreu uma de suas mutações. O nome Gewurztraminer foi usado pela primeira vez na Alsácia, em 1870 - sem o trema. Em nossa pesquisa não consegui encontrar uma explicação clara para esta mudança de nome, nos parece que tudo foi uma grande coincidência temporal, pois a mutação musqué aconteceu logo após a chegada do grande epidemia da filoxera. Acredito que esta mutação foi uma determinante na sobrevivência da espécie primitiva da Traminer e também uma tentativa de criar um enxerto de filoxera resistentes a grande epidemia de 1852, quando todo o continente Europeu teve que replantar suas vinhas.
1Eleitorado do Palatinato ou Condado Palatino do Reno (em alemão: Kurpfalz), um Estado histórico do Sacro Império Romano-Germânico, incluindo:

Assim, com o passar dos anos, este veio a se tornar o mais típico dos vinhos da Alsácia. Como já falamos anteriormente, Gewürz significa "picante" em alemão. É a principal característica da Gewurztraminer. Recapitulando ainda, a Gewurztraminer foi cultivada na Alsácia por volta do final do século 18. Estas cepas agora cobrem cerca de 20% dos vinhedos da região. Gewurztraminer também substituiu a uva chamada Klevener ou Savagnin. Hoje em dia os vinhos Klevener só podem ser encontrados na aldeia de Heiligenstein e ao redor. Klevener produz um vinho branco seco com leve sabor picante, mas bem menos aromáticos que Gewurztraminer. Lembrando que este vinho tem melhor potencial quando bebido jovem.

Alsácia foi onde a Gewürztraminer deu os melhores resultados, mas encontramos produção desta uva em todos os continentes do planeta, inclusive na América do Sul, sendo plantada no Chile, Argentina e também no Brasil. Produz sempre um vinho frutado, delicioso e com aromas fortes, um buquê muito perfumado. Gewurztraminer é mais doce que o Riesling, que é um vinho branco mais seco.
Uva Riesling

Vinho espesso e rico, que pode envelhecer, vai muito bem com a culinária Alemã, pratos como chucrute, salsichas e queijo Munster. Também é recomendado para acompanhar pratos à base curry e outros condimentos de difíceis harmonizações. Vai muito bem com a culinária chinesa e mexicana, pois seu forte são os condimentos de personalidade forte, pratos condimentados. A Gewurztraminer pode até mesmo ser servida como um vinho de sobremesa.

Temperatura de Serviço: Gewurztraminer deve ser servido a 10° C

Tempo de Guarda: Gewurztraminer pode durar até 10 anos em suas melhores safras.


Regiões de Cultivo

 

Austrália

Gewürztraminer é mais notável para seu uso ocasional de nomes antigos como Traminer Musqué e Aromatique Gentil Rosa do que a real qualidade dos vinhos.  Encontraremos a Gewürztraminers em Adelaide Hills, Eden Valley, na ilha de Tasmânia, Clare Valley, Yarra Valley e as vinhas espalhadas no Alpes australianos.

 

Canadá

Vinho canadense, regiões onde é cultivado, inclui a Ilha de Vancouver e do Vale Okanagan da Columbia Britânica, a Península do Niagara, e na margem norte do Lago Erie e Prince Edward County regiões vinícolas de Ontário.

Europa

 

França

Gewürztraminer atinge a sua melhor expressão na Alsácia, pois é a variedade de uva mais plantada dessa região.  Os Estilos de Gewurztraminer da Alsácia é de um branco muito seco ou ainda o estilo muito doce, O conhecido vinho de safra-tardia ou  vinho de sobremesa. 

 

Alemanha

A Alemanha tem cerca de 10 quilômetros quadrados da variedade, mas é muito diferente do que a de seus vizinhos do outro lado do Reno, como sugerido acima muito de seu "Gewürztraminer" é provavelmente Traminer Vermelho. Os alemães são mais para o paladar suave, ou um estilo relativamente seco, que tenta dominar a natural exuberância da uva.

Itália

O Traminer é nativo das encostas frias alpinas do Trentino-Alto Adige Südtirol, no nordeste da Itália. Se o Gewürz-mutante originou lá ou não é uma questão ainda em aberto, mas é certamente cresceu lá, hoje ambas as uvas, rosa e verde pode ser chamada simplesmente de Traminer. Na Itália este vinho é envelhecido em carvalho Austríaco, em vez do tradicional carvalho Francês, mais usados ​​para outros vinhos italianos.

 

EUA

No Estados Unidos  concentra-se em Monterrey, Mendocino e Sonoma na Califórnia, encontramos também o Vale de Columbia em Washington e no Oregon. Há cultivado em regiões sabidamente frias como em Michigan, e nas  Rhode Island, County, Oklahoma, Ohio, Pensilvânia, Kentucky, Indiana, Texas, Virginia, Maryland.

 

(Novo Mundo) Austrália e América do Sul

No Novo Mundo, a uva Traminer é talvez mais bem sucedida na Nova Zelândia, contudo existe produção dessa uva  no extremo sul do Chile, na Argentina e também no Brasil.

Bem, por enquanto é isto, espero que gostem desta postagem, pois estou me sentido meio enferrujado devido ao tempo que não escrevia, sendo assim tentarei ser mais constante nessa troca de informações com este universo que tanto gosto e admiro.

Grande Abraço

Sérgio Craveiro Barros